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Conteúdo informativo, destinado a profissionais de saúde. Não substitui avaliação médica nem autoriza autodiagnóstico ou alteração de tratamento. Veja o Aviso Legal.

Anemia ferropriva: critérios, causas e investigação

Também chamada de: anemia por deficiência de ferro, anemia microcítica hipocrômica

Anemia causada por falta de ferro, a mais comum no mundo. No hemograma, combina hemoglobina baixa com VCM e HCM baixos e RDW elevado; a ferritina baixa confirma a deficiência.

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O que é anemia ferropriva?

A deficiência de ferro reduz a síntese de hemoglobina e produz hemácias pequenas e pálidas (microcitose e hipocromia). Antes de a hemoglobina cair já pode haver deficiência de ferro com ferritina baixa, e o RDW costuma subir cedo, pela mistura de hemácias de tamanhos diferentes.

Como o hemograma e os exames definem o quadro

  • Hemoglobina abaixo do limite da OMS: < 13,0 g/dL em homens, < 12,0 g/dL em mulheres não gestantes e < 11,0 g/dL em gestantes.
  • VCM e HCM reduzidos (microcitose e hipocromia); RDW aumentado.
  • Ferritina baixa (em adultos, < 30 ng/mL sugere deficiência; em inflamação, valores até ~100 ng/mL ainda podem coexistir com deficiência).
  • Saturação de transferrina < 20% e capacidade total de ligação do ferro (TIBC) elevada.
  • Índice de Mentzer (VCM ÷ eritrócitos) ≥ 13 favorece ferropenia em relação a traço talassêmico.

Principais causas

  • Perda crônica de sangue: menstruação abundante, sangramento gastrointestinal (úlcera, neoplasia, angiodisplasia, hemorroidas), uso crônico de AINEs ou anticoagulantes.
  • Ingestão ou absorção insuficiente: dieta pobre em ferro, doença celíaca, gastrite atrófica, infecção por H. pylori, cirurgia bariátrica, uso prolongado de inibidores de bomba de prótons.
  • Aumento da demanda: gestação, lactação, crescimento rápido na infância e adolescência.
  • Parasitoses intestinais, como ancilostomíase, em áreas endêmicas.
  • Doações frequentes de sangue.

Como investigar

  • Ferritina, ferro sérico, TIBC e saturação de transferrina; reticulócitos.
  • Investigar a causa: história menstrual, dieta, medicamentos, protoparasitológico de fezes, sorologia/anti-transglutaminase para doença celíaca quando indicado.
  • Em homens e em mulheres pós-menopausa, a anemia ferropriva exige investigação do trato gastrointestinal (endoscopia digestiva alta e colonoscopia) até prova em contrário.
  • Se o VCM é muito baixo com ferritina normal, considerar talassemia (eletroforese de hemoglobina).

Sinais de alarme e quando encaminhar

  • Sangramento ativo ou melena/hematoquezia.
  • Hemoglobina muito baixa (por exemplo < 7 g/dL) ou sintomas de descompensação: dispneia em repouso, dor torácica, síncope, taquicardia.
  • Perda de peso, mudança do hábito intestinal ou anemia sem causa evidente em pessoa idosa ou homem.

O que este achado NÃO indica

Microcitose isolada não prova deficiência de ferro: talassemias, anemia de doença crônica e anemia sideroblástica também reduzem o VCM. Ferritina é proteína de fase aguda e pode estar normal ou alta na deficiência quando há inflamação.

Exames relacionados

Perguntas frequentes

Como o hemograma sugere anemia ferropriva?
Hemoglobina abaixo do limite para o sexo e a idade, com VCM e HCM baixos e RDW aumentado. A confirmação é feita com ferritina e saturação de transferrina.
Todo VCM baixo é falta de ferro?
Não. Traço talassêmico, anemia de doença crônica e anemia sideroblástica também causam microcitose. O índice de Mentzer e a ferritina ajudam a diferenciar.
Quando investigar sangramento digestivo?
Em homens adultos e mulheres após a menopausa com anemia ferropriva, a investigação do trato gastrointestinal é recomendada mesmo sem sintomas digestivos.

Revisão médica

Dr. Carlos Eduardo Miranda Bruzzi Felipe — CRM-MG 105.721

Publicado em:
14 de julho de 2026
Última revisão:
3 de outubro de 2026
Próxima revisão:
14 de julho de 2027
Conflitos de interesse:
Nenhum conflito de interesse declarado.

Referências

  • World Health Organization. Haemoglobin concentrations for the diagnosis of anaemia and assessment of severity. Geneva: WHO; 2011.
  • Camaschella C. Iron-deficiency anemia. N Engl J Med. 2015;372:1832-43.
  • Hoffbrand AV, Moss PAH. Essential Haematology. 7th ed. Wiley-Blackwell; 2016.